sábado, 12 de abril de 2014

ILHA DA PÁSCOA

 A ENIGMÁTICA ILHA DE PÁSCOA
OS SETE MOAIS DO AHU AKIVI, OS ÚNICOS VOLTADOS PARA O MAR, REPRESENTARIAM OS SETE EXPLORADORES ENVIADOS POR HOTU MATUA.


As mil estátuas da Ilha de Páscoa provocam uma pergunta imediata: como um lugar tão pequeno e isolado poderia originar uma cultura capaz de obras tão espetaculares? Esta e muitas outras questões tornam Páscoa uma especial atração para a arqueologia fantástica.


O AHU DA PRAIA DE ANAKENA, COM ESTÁTUAS ERGUIDAS PELOS PASCOANOS E POR WILLIAM MULLOY. QUATRO DELAS USAM O CHAPÉU DE PEDRA DENOMINADO PUKAO.


Tentar desvendar os mistérios da Ilha de Páscoa parece um exercício dedutivo superior até mesmo à capacidade de um Sherlock Holmes iluminado! Ali, as poucas evidências favorecem o aparecimento de novas hipóteses . Existem ainda muitas especulações e dúvidas no ar.
O enigma principia pela própria geografia local: 118km2 de terra que jazem solitários no ameno sudeste do Pacífico. 1.600km a leste de Pitcaim ( a ilha dos " amotinados do Bounty") e 3.700 km a oeste do Chile _ o que faz de Páscoa o lugar  habitado mais isolado do mundo. Embora vulcânica e com indícios de uma flora no passado, a Ilha de Páscoa é atualmente dominada por uma vegetação pobre e baixa, mesclada na paisagem a uma infinidade de pedras vulcânicas. Não há rios e as principais concentrações de água estão nas crateras de alguns vulcões.
Nessas condições adversas viviam os ilhéus encontrados pelo primeiro homem a visitar a região: o holandês Jacob Roggenveen. por ocasião da Páscoa( daí o nome atual), em 1722. Segundo o navegador, os nativos ( fala-se de polinésios e indivíduos de pele clara e cabelos vermelhos) moravam em cabanas de colmo e subsistiam da escassa vegetação.
Convivendo com esas pessoas paupérrimas porém, havia uma população de aprox. 1000 estátuas de pedra vulcânica, algumas delas com dimensões gigantescas; uma delas atingia 10m de altura e 90 toneladas de peso.
Obviamente não era obra dos nativos contemporâneos de Roggenveen.
Essas figuras maciças e estilizadas, conhecidas como moai, constituem hoje a marca registrada  de Páscoa. Suas principais características são as cabeças muito alongadas ( comenta-se que as orelhas seriam compridas, mas elas meramente acompanham a proporção do rosto), os braços que pendem rigidamente ao longo dos troncos e os abdomens proeminentes. Alguns moai tem sobre suas cabeças pesados blocos de pedra à maneira de chapéus.
A expedição do sueco Thor Heyerdahl à ilha, em 1956, descobriu milhares das ferramentas de pedra usadas na execução das obras. Outras dúvidas essenciais, no entanto, permanecem de pé: porque e por quem as estátua foram construídas e como foram transportadas?



Embora mencionem os incas e até ufonautas como seus autores, a tend~encia é atribuí-las aos polinésios. Eles teriam chegado à ilha no século VII _ provavelmente, o lendário grupo do rei Hotu Matua, emigrado de uma terra ao ocidente conhecida como " HIVA". A suposição se baseia em certas semelhanças dos ahu ( plataformas sagradas sobre cuja parte central se colocavam os moai) e de certas estátuas mais antigas, com construções similares em outras ilhas do Pacífico. A profusão de ahu e moai em Páscoa, no entanto, indica que essas obras ganharam uma importância maior que a de suas congêneres, caracterizando uma febre religiosa sem paralelo na Polinésia.



As estátuas não representam deuses, mas sim dirigentes políticos ou espirituais e figuras de antepassados, possuidores de um poder sobrenatural ( mana) que protegeria seus descendentes. Ao descobrir os olhos dos moai na praia de Anakena, em 1978, o arqueólogo pascoano e na época governador da ilha, Sergio Rapu, acabou por reforçar a hipótese. O encaixe de réplicas dos olhos ( feito de coral branco, representando a córnea e pedaços de lava vermelha, como  a íris) deu às estátuas um inelutável ar de zelosos guardiões locais.
Considera-se que os moai eram descidos da oficina nas encostas do vulcão Rano Raraku, por meio de um sistema de cabos.Como levá-los até o ahu e depositá-los no altar, porém, ainda é uma questão que intriga os estudiosos. Os ilhéus atribuíam essa tarefa ao mana do rei. Mais prático, o antropólogo americano William Mulloy, da equipe de Heyerdahl, sugeriu uma hipótese fundada num trenó de base  arredondada, sobre a qual o moai ia deitado de bruços e o trenó, rolado com o auxilio de cordas, percorreria um caminho recoberto de ervas e canas.


Porque a fabricação seria interrompida?
A hipótese de uma guerra interna é a mais plausível, mas aqui mergulha na controvertida mitologia local. As lendas falam de dois grupos _ os HANAU EEPE ( homens robustos), dominantes, e os  HANAU MOMOKO( homens magros), mais antigos na ilha e socialmente inferiores. Em certa época, os HANAU EEPE teriam ordenado aos HANAU MOMOKO que recolhessem e amontoassem as pedras que recobririam o solo. Oprimidos por essa tarefa insana, os HANAU MOMOKO teriam se rebelado e, após algumas semanas de batalha, teriam destroçado os seus senhores. A versão é pobre, mas parece mais aceitável quando acoplada à provável escassez de alimentos disponíveis para uma numerosa população, pois no auge da explosão demográfica, a ilha teria 20.000 habitantes. Em apoio a esta ideia lembra-se o progressivo desbastamento da vegetação nativa, além do terrível costume antropofágico que vigorou entre os ilhéus, especialmente na época das convulsões internas. De qualquer modo, a fúria guerreira entre os dois clãs, foi responsável pela destruição dos ahu e das grandes estátuas e pelo abandono do culto por elas representado.



O trabalho de pesquisas dos estudiosos poderia ser bem mais fácil não fosse o comportamento com que vários ocidentais brindaram os pascoanos no século passado. Expedições peruanas à cata de escravos acabaram por levar da ilha toda sua elite governamental e cultural; os poucos que retornaram não possuíam os conhecimentos ancestrais. Conta-se que os escoceses que arrendaram terras para criar ovelhas preferiram cercar a vila de Hanga Roa, dificultando o livre trânsito dos nativos.
Problema similar ocorreu com as tábuas Rongo-rongo, que continham a misteriosa escrita desenvolvida na ilha. Os primeiros missionários católicos em Páscoa consideraram-na obras do demônio e as destruíram. Foram salvas apenas 26 delas, número insuficiente para a decodificação dos ideogramas.

Mas as pesquisas ainda tem muito a evoluir. Enquanto os cientistas buscam soluções para estes problemas, Páscoa permanece aberta e hospitaleira, mas aparentemente ciosa de seus complexos segredos. Talvez não seja à toa, que muitos visitantes costumam identificar nas estátuas uma expressão ligeiramente sardônica _ um desafiador convite à sua decifração.





O que nos diz   Claudia de Castro Lima?

Ao descobrir uma pequena ilha no meio do Pacífico Sul, no domingo de Páscoa de 1722, o navegador holandês Jacob Roggeveen ficou impressionado. Não pela beleza, pois já havia visto ilhas bem mais paradisíacas. O que causou espanto foram gigantescas estátuas de pedra, espalhadas pela ilha. Nos 150 anos que se seguiram, pelo menos mais 53 expedições européias alcançaram o pedaço de terra. Os diários de bordo dos exploradores relatam que, a cada nova visita, menos daquelas figuras enormes eram avistadas ao longe: elas estavam todas sendo derrubadas. Até que, em 1825, os tripulantes de um navio inglês não encontraram mais nenhuma em pé. Segundo os exploradores europeus, as estátuas, chamadas de moais, pareciam testemunhas de uma sociedade em colapso. O próprio Roggeveen escrevera em seu diário: "A aparência destruída não poderia dar outra impressão além de pobreza e improdutividade singulares". Em meados do século 18, o povo rapanui, que habitava a Ilha de Páscoa, já estava em decadência. Bem antes da chegada dos europeus, a ilha experimentara séculos de progresso, com plantações em franca expansão e comida abundante. Em algum momento, entretanto, algo deu muito errado. A população cresceu demais, as florestas sumiram, o solo sofreu erosão, a agricultura não vingou mais e as aldeias rapanuis se consumiram em guerras.

Para um grande número de pesquisadores, o colapso foi causado pela ação descuidada do homem sobre a natureza. Não é à toa que a Ilha de Páscoa é atualmente apontada como uma espécie de metáfora do futuro da Terra: o que houve com os rapanuis é mais ou menos o que pode acontecer com a gente.



Distante 3600 quilômetros do continente mais próximo, a América do Sul, e 2 mil quilômetros da ilha mais próxima, Pitcairn, a Ilha de Páscoa é um dos pontos mais isolados do planeta. Tem 163 quilômetros quadrados - metade da área de Belo Horizonte, a capital mineira. O nome dado pelos rapanuis a seu território fazia jus à situação geográfica: Te Pito Henua (algo como "o umbigo do mundo"). A ilha também era chamada de Rapa Nui, ou "Rapa Grande", por sua semelhança com uma ilha menor chamada Rapa. A história da ilha é controversa. Não existe nenhum registro escrito anterior à chegada dos europeus. A data da colonização do local também não é certa. Estudos recentes apontam que, por volta do ano 1000, ela foi alcançada por povos polinésios. Pouco mais de 100 deles teriam encontrado uma ilha rica em fauna e flora, com solo fértil, coberta por um tipo grande de palmeira, que costumava alcançar 25 metros. A tradição rapanui conta que o primeiro colonizador, Hotu Matu'a, chegou à ilha com sua família. A lenda é que ele teria se transformado no primeiro rei de Rapa Nui - e seus descendentes, assumido o posto nos séculos seguintes. Os rapanuis eram comandados por um único líder, mas a sociedade se dividia em vários clãs familiares. Eles viviam em casas feitas de madeira, palha e folhas secas. Os vilarejos mais ricos eram os que tinham mais galinheiros - enormes e feitos de pedra -, pois as galinhas eram uma importante moeda de troca. O ponto mais importante de cada vila era o centro cerimonial. Esses centros eram compostos de um altar, o ahu, sobre o qual os gigantescos moais ficavam. As estátuas de pedra eram construídas em homenagem a alguém importante do clã que havia morrido. Sua posição estratégica - de costas para o mar, olhando para o vilarejo - servia para que, direto da outra vida, o morto continuasse a olhar por seu povo.


Entre os séculos 11 e 14, a sociedade rapanui viveu seus dias de glória. O solo vulcânico favorecia o cultivo de diversos alimentos, especialmente a batata-doce. A agricultura eficiente resultou em um baita crescimento populacional - estima-se que a ilha chegou a ter 15 mil pessoas.



Aí começaram os problemas. Um número maior de habitantes exigia que mais áreas fossem devastadas. "O plantio em grande escala necessita de um campo aberto", afirma o arqueólogo Christopher Stevenson, autor de Easter Island Archaeology ("Arqueo logia da Ilha de Páscoa", inédito em português). "Outras demandas pela madeira foram para usá-la como combustível e nas estruturas de casas e barcos." As palmeiras serviam para construir as canoas que os habitantes da ilha usavam em alto-mar para pescar um importante item de sua dieta: golfinhos. Como a vida marinha ao redor da ilha não era tão abundante, só os pescadores mais experientes, com suas canoas duplas (semelhantes a catamarãs), conseguiam trazer golfinhos para a mesa. A carne do bicho era muito apreciada, assim como a de foca e de 25 tipos de pássaros selvagens. Adivinhe como isso tudo era preparado? Com a queima da lenha retirada nas florestas. Mas não era só a alimentação que provocava desmatamento. Ele foi intensificado por uma disputa que tomou conta da ilha: a obsessão por construir moais. Os diferentes vilarejos criavam estátuas cada vez maiores. Os primeiros moais, que teriam sido feitos por volta de 1100, tinham entre 2 e 3 metros de altura. Já o maior que chegou a ser posto sobre um altar, esculpido cerca de 300 anos depois, tem 10 metros e pesa 82 toneladas. Aos pés do vulcão Rano Raraku, onde todos os moais eram construídos, há uma estátua com mais de 15 metros e cerca de 270 toneladas, que não chegou a ser terminada. Mas o que fazer moais tem a ver com derrubar árvores? Segundo os pesquisadores, levar um moai do vulcão até um vilarejo e deixá-lo em pé era um trabalho que exigia muita madeira.




Além disso, de acordo com a arqueóloga americana Jo Anne van Tilburg, da Universidade da Califórnia, um quarto dos alimentos de Rapa Nui era consumido no processo de produção e transporte dos moais - atividades que envolviam entre 50 e 500 pessoas de cada vez. Conforme as palmeiras eram arrancadas, uma série de problemas no solo começou a aparecer. "A terra de cultivo ficou exposta ao sol, ao vento e à chuva", afirma o arqueólogo Claudio Cristino, da Universidade do Chile, um dos maiores estudiosos de Ilha de Páscoa. O solo sofreu erosão e muitos vilarejos ficaram inabitáveis, pois nada brotava ao seu redor. "Com a destruição dos solos férteis, não é difícil imaginar drásticos períodos de fome em Rapa Nui. Tensões sociais extremas causaram conflitos e a população da ilha, que teria chegado a 15 mil pessoas, começou a diminuir", diz Cristino, autor de 1000 Años en Rapa Nui ("1000 anos em Rapa Nui", sem tradução para o português). Esse processo de decadência, de acordo com a maior parte dos estudiosos, ocorreu entre os séculos 16 e 17 - antes da chegada dos europeus. Segundo Cristino, a tradição oral rapanui menciona um período de guerras entre aldeias. Quando derrotavam os membros de determinado clã, os vencedores derrubavam os moais do vilarejo de cara para o chão - a maior humilhação que podia ser feita. As expedições européias que visitaram a Ilha de Páscoa ajudaram a piorar a crise, espalhando epidemias e levando pascoenses como escravos. No fim do século 19, havia pouco mais de 100 pessoas na ilha. Basicamente o mesmo número que teria aportado por lá 1000 anos antes e fundado a sociedade rapanui. 




Estudiosos divergem quanto aos motivos do desastre da ilha. O geógrafo Jared Diamond, autor de matérias e livros sobre o assunto, batizou a tragédia de "ecocídio". Ao devastar os recursos naturais da ilha, os rapanuis teriam provocado um desequilíbrio que resultou no fim de um ecossistema e causou seu próprio extermínio. "A história da Ilha de Páscoa é o exemplo extremo de destruição florestal no Pacífico e está entre os mais extremos do mundo: a floresta desapareceu e todas suas espécies de árvores se extinguiram", escreveu.
Já para o antropólogo americano Terry Hunt, da Universidade do Havaí, não há evidência de que o colapso da população tenha ocorrido antes do contato com os europeus. Hunt sustenta que Rapa Nui foi colonizada bem depois do que se acredita - por volta de 1200. Assim, não haveria tempo para que, em pouco mais de três séculos, a população saltasse para 15 mil habitantes.



Sem superpopulação, a teoria do ecocídio não faria muito sentido. Para Hunt, a queda das árvores foi causada por uma mudança climática que ocorreu ao longo dos séculos. E foi intensificada por uma espécie trazida pelos europeus: os ratos. Alimentando-se de frutos e sementes da palmeira, os roedores dificultavam o nascimento de novas árvores. Discordando da maioria dos especialistas, Hunt afirma que a ação dos colonizadores foi decisiva para acabar com o povo rapanui - assim como ocorreu com muitas outras sociedades pré-colombianas da América, dos astecas aos tupinambás. As expedições européias que freqüentaram a Ilha de Páscoa entre 1722 e 1877 tinham como principal atrativo a população local. Os homens serviam de mão-de-obra escrava em países colonizados pela Espanha e pela Inglaterra. As mulheres viravam escravas sexuais. O missionário alemão Sebastian Englert escreveu sobre dois navios que chegaram lá à procura de escravos. Segundo o padre, a tripulação capturou 150 nativos e os levou ao Peru, onde todos foram vendidos. Diversas outras expedições fizeram o mesmo. Na opinião do britânico John Flenley, professor de Geografia na Universidade Massey, na Nova Zelândia, e co-autor de The Enigmas of Easter Island ("Os enigmas da Ilha de Páscoa", também inédito em português), o que ocorreu foi uma combinação de fatores. "A superpopulação, o declínio dos recursos naturais, a exaustão do solo, as guerras e possivelmente uma mudança climática levaram a sociedade à extinção", diz. "Há a possibilidade de um contato prévio com os espanhóis ter auxiliado, mas não há evidência real para isso." Flenley não acredita na teoria do "ecocídio". "Isso soa rude para o povo rapanui. 



Eu acredito que eles fizeram exatamente o mesmo que outras sociedades fariam. É da natureza humana explorar o meio ambiente. Apenas o controle de população os teria salvado, mas os métodos disponíveis eram absurdos, como o infanticídio. Eles então entraram em guerra. Nós faríamos o mesmo." Hoje a Ilha de Páscoa pertence oficialmente ao Chile, país ao qual foi anexada em 1888. Seus habitantes vivem no vilarejo de Hanga Roa, onde funciona o centro comercial da ilha. Há poucas árvores replantadas na ilha, que vive principalmente do turismo. A história dos antigos rapanuis é contada pelos atuais moradores como exemplo a não ser seguido hoje, mas o paralelo com o mundo atual é inevitável. "Há algumas lições a serem aprendidas com a história da Ilha de Páscoa", afirma John Flenley. "As principais são claras: para não se extinguir, uma sociedade tem de ter controle de natalidade, conservação ecológica e sustentabilidade."


VISTA DA CRATERA ALAGADA DO VULCÃO RANO KAO, NO VÉRTICE SUL DA ILHA. NAS ENCOSTAS DO VULCÃO LOCALIZA-SE O CENTRO CERIMONIAL DE ORONGO.


CONCENTRAÇÕES DE ÁGUA EM CRATERAS DE ALGUNS VULCÕES.



CAPITAL DA ILHA DE PÁSCOA, A CIDADE DE HANGA ROA


CRATERA DO VULCÃO PUI



FONTES:
A ENIGMÁTICA ILHA DE PÁSCOA
REVISTA PLANETA-  REPORTAGEM DE  EDUARDO ARAIA...P.27/35

CLÁUDIA DE CASTRO LIMA
REVISTA AVENTURAS NA HISTÓRIA...10/2007
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255142.shtml?func=1&pag=0&fnt=14px

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