quinta-feira, 24 de abril de 2014

O QUE ACONTECEU EM 1901?

FREUD VIRA O NOSSO MUNDO DE CABEÇA PARA BAIXO
Toda grande obra literária conduz o leitor numa viagem. Na literatura clássica, a "Odisséia" de Homero e a " Eneida" de Virgilio nos levam à descoberta de um mundo mítico.A primeira narrativa moderna, " O Infernos de Dante', começa com uma caminhada  através da mata escura e um encontro com Virgílio, que guia o autor por uma espiral descendente até o coração do inferno. Em agosto de 1899, Sigmund Freud, enquanto dava os últimos retoques em sua obra maior, " A interpretação dos sonhos", escreveu ao amigo Wilhelm Fliess sobre o livro: "É todo planejado segundo o modelo de uma caminhada imaginária". Por mais peculiares que sejam aquelas jornadas literárias, este passeio ao qual nos conduz o médico vienense deve ser uma das mais estranhas viagens de todos os tempos.
Até a data de publicação do livro é curiosa. Na realidade, ele veio a público em 1899, mas trazia impressa a data de 1900. Assim, situado na virada do calendário, projetava-se sobre o século XX, que iria transcorrer à sua sombra.Também o título parece estranho para um trabalho científico.A ciência pode tentar explicar os sonhos, mas apenas a literatura popular ou os escritores pré-científicos afirmavam poder interpretá-los.

SER FELIZ SEMPRE

                     BOM HUMOR É IMPORTANTE






“Procure ver o lado bom das coisas ruins.” Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda ou parecer um conselho bobo de um mestre de artes marciais saído de algum filme ruim. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. Não é difícil encontrar exemplos que comprovam que eles têm razãoNão se trata de ver o mundo com os olhos róseos de Pollyanna. Esse tipo de flexibilidade para encarar os acontecimentos ruins não garante apenas algumas risadas: pode fazer bem para a saúde.
O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas, mesmo sendo o resultado de uma combinação de ingredientes, pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. “Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa”, diz o clínico geral Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo. Mais do que isso: a endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, conseqEentemente, mais bem-humorado você fica. Eis aqui um círculo virtuoso, que Lopes prefere chamar de “feedback positivo”. A endorfina também controla a pressão sanguínea, melhora o sono e o desempenho sexual. 
Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. Novamente Lopes explica por quê: “O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade”. A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas – como um trabalho inacabado ou uma conta para pagar –, que só são trágicas porque as encaramos desse modo.
Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável – e é bom que seja assim. “Você precisa de tristeza e de alegria para ter um convívio social adequado”, diz o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento.” Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que é necessária e faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro. Uma em cada quatro pessoas tem, durante a vida, pelo menos um caso de depressão que mereceria tratamento psiquiátrico.
Enquanto as consequências maléficas do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando o editor norte-americano Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa que ataca a coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital esperando para virar estatística, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os atentos olhos de uma enfermeira, com quase todo o corpo paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas de “pegadinhas” e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até poder voltar a viver e a trabalhar normalmente. Cousins morreu em 1990, aos 75 anos.
Se Cousins saiu do hospital em busca do humor, hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia-a-dia dos pacientes internados. O mais radical deles é Patch Adams, um médico americano que começou no mês passado a construir o primeiro “hospital bobo” do mundo (veja o quadro acima). Adams quer que os doentes deem risadas enquanto se recuperam. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar – está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação e a eficácia das defesas do organismo.
A alegria também aumenta a capacidade de resistir à dor, graças também à endorfina. Vários estudos já comprovaram isso, alguns deles bem engraçados. Uma dessas pesquisas colocou um grupo com as mãos dentro de um balde de água gelada enquanto passava um filme humorístico. Essas pessoas ficavam com as mãos na água mais tempo que outros sem estímulo divertido.
Evidências como essa fundamentam o trabalho dos Doutores da Alegria, que já visitaram 170 000 crianças em hospitais. As invasões de quartos e UTIs feitas por 25 atores vestidos de “palhaços-médicos” não apenas aceleram a recuperação das crianças, mas motivam os médicos e os pais. A psicóloga Morgana Masetti acompanha os Doutores há sete anos. “É evidente que a trabalho diminui a medicação para os pacientes”, diz ela.
O princípio que torna os Doutores da Alegria engraçados tem a ver com a flexibilidade de pensamento defendida pelos especialistas em humor – aquela idéia de ver as coisas pelo lado bom. “O clown não segue a lógica à qual estamos acostumados”, diz Morgana. “Ele pode passar por um balcão de enfermagem e pedir uma pizza ou multar as macas por excesso de velocidade.” Para se tornar um membro dos Doutores da Alegria, o ator passa num curioso teste de autoconhecimento: reconhece o que há de ridículo em si mesmo e ri disso. “Um clown não tem medo de errar – pelo contrário, ele se diverte com isso”, diz Morgana. Nem é preciso mencionar quanto mais de saúde haveria no mundo se todos aprendêssemos a fazer o mesmo.

Bom-humor é fundamental para uma convivência harmoniosa e tranquila. Quem leva tudo a sério busca desgastes excessivos e desnecessários, fazendo gravitar ao seu redor uma aura de infelicidade e antipatia. O bom-humor, ao contrário, atrai sorrisos e consome uma energia sempre renovada em alegria e bem-estar.



Contra um mau pensamento; uma dúzia de bons desejos.
Contra a inveja; mais trabalho.
Contra a crise; criatividade.
Contra o desânimo; perseverança.
Contra o ódio; mais amor.
Contra a incerteza; uma decisão.
Contra o descrédito; firmeza.
Contra a doença; repouso e cuidados.
Contra a infidelidade; serenidade.
Contra as dívidas; planejamento.
Contra o passado; visões do futuro.
Contra a solidão; solidariedade.
Contra a fome; misericórdia.
Contra tudo; a fé absoluta.
Contra você; nem pensar!


Roberto Gaefke



Fonte: http://super.abril.com.br/saude/bom-humor-faz-bem-saude-441550.shtml

Faço do amor, uma oração.
Com humor me deito, com humor me levanto!
Se tem uma coisa que eu prezo demais nessa vida
é a tal da amizade!
Pra cada tristeza no dia, eu tiro um sorriso
de dentro do bolso.
Eu economizo tudo, menos a alma…
Eu só insisto no que é lindo.
Sempre tenho uma prece pra
deixar de escurecer!

Cris Carvalho


sábado, 12 de abril de 2014

ILHA DA PÁSCOA

 A ENIGMÁTICA ILHA DE PÁSCOA
OS SETE MOAIS DO AHU AKIVI, OS ÚNICOS VOLTADOS PARA O MAR, REPRESENTARIAM OS SETE EXPLORADORES ENVIADOS POR HOTU MATUA.


As mil estátuas da Ilha de Páscoa provocam uma pergunta imediata: como um lugar tão pequeno e isolado poderia originar uma cultura capaz de obras tão espetaculares? Esta e muitas outras questões tornam Páscoa uma especial atração para a arqueologia fantástica.


O AHU DA PRAIA DE ANAKENA, COM ESTÁTUAS ERGUIDAS PELOS PASCOANOS E POR WILLIAM MULLOY. QUATRO DELAS USAM O CHAPÉU DE PEDRA DENOMINADO PUKAO.


Tentar desvendar os mistérios da Ilha de Páscoa parece um exercício dedutivo superior até mesmo à capacidade de um Sherlock Holmes iluminado! Ali, as poucas evidências favorecem o aparecimento de novas hipóteses . Existem ainda muitas especulações e dúvidas no ar.
O enigma principia pela própria geografia local: 118km2 de terra que jazem solitários no ameno sudeste do Pacífico. 1.600km a leste de Pitcaim ( a ilha dos " amotinados do Bounty") e 3.700 km a oeste do Chile _ o que faz de Páscoa o lugar  habitado mais isolado do mundo. Embora vulcânica e com indícios de uma flora no passado, a Ilha de Páscoa é atualmente dominada por uma vegetação pobre e baixa, mesclada na paisagem a uma infinidade de pedras vulcânicas. Não há rios e as principais concentrações de água estão nas crateras de alguns vulcões.
Nessas condições adversas viviam os ilhéus encontrados pelo primeiro homem a visitar a região: o holandês Jacob Roggenveen. por ocasião da Páscoa( daí o nome atual), em 1722. Segundo o navegador, os nativos ( fala-se de polinésios e indivíduos de pele clara e cabelos vermelhos) moravam em cabanas de colmo e subsistiam da escassa vegetação.
Convivendo com esas pessoas paupérrimas porém, havia uma população de aprox. 1000 estátuas de pedra vulcânica, algumas delas com dimensões gigantescas; uma delas atingia 10m de altura e 90 toneladas de peso.
Obviamente não era obra dos nativos contemporâneos de Roggenveen.
Essas figuras maciças e estilizadas, conhecidas como moai, constituem hoje a marca registrada  de Páscoa. Suas principais características são as cabeças muito alongadas ( comenta-se que as orelhas seriam compridas, mas elas meramente acompanham a proporção do rosto), os braços que pendem rigidamente ao longo dos troncos e os abdomens proeminentes. Alguns moai tem sobre suas cabeças pesados blocos de pedra à maneira de chapéus.
A expedição do sueco Thor Heyerdahl à ilha, em 1956, descobriu milhares das ferramentas de pedra usadas na execução das obras. Outras dúvidas essenciais, no entanto, permanecem de pé: porque e por quem as estátua foram construídas e como foram transportadas?



Embora mencionem os incas e até ufonautas como seus autores, a tend~encia é atribuí-las aos polinésios. Eles teriam chegado à ilha no século VII _ provavelmente, o lendário grupo do rei Hotu Matua, emigrado de uma terra ao ocidente conhecida como " HIVA". A suposição se baseia em certas semelhanças dos ahu ( plataformas sagradas sobre cuja parte central se colocavam os moai) e de certas estátuas mais antigas, com construções similares em outras ilhas do Pacífico. A profusão de ahu e moai em Páscoa, no entanto, indica que essas obras ganharam uma importância maior que a de suas congêneres, caracterizando uma febre religiosa sem paralelo na Polinésia.



As estátuas não representam deuses, mas sim dirigentes políticos ou espirituais e figuras de antepassados, possuidores de um poder sobrenatural ( mana) que protegeria seus descendentes. Ao descobrir os olhos dos moai na praia de Anakena, em 1978, o arqueólogo pascoano e na época governador da ilha, Sergio Rapu, acabou por reforçar a hipótese. O encaixe de réplicas dos olhos ( feito de coral branco, representando a córnea e pedaços de lava vermelha, como  a íris) deu às estátuas um inelutável ar de zelosos guardiões locais.
Considera-se que os moai eram descidos da oficina nas encostas do vulcão Rano Raraku, por meio de um sistema de cabos.Como levá-los até o ahu e depositá-los no altar, porém, ainda é uma questão que intriga os estudiosos. Os ilhéus atribuíam essa tarefa ao mana do rei. Mais prático, o antropólogo americano William Mulloy, da equipe de Heyerdahl, sugeriu uma hipótese fundada num trenó de base  arredondada, sobre a qual o moai ia deitado de bruços e o trenó, rolado com o auxilio de cordas, percorreria um caminho recoberto de ervas e canas.


Porque a fabricação seria interrompida?
A hipótese de uma guerra interna é a mais plausível, mas aqui mergulha na controvertida mitologia local. As lendas falam de dois grupos _ os HANAU EEPE ( homens robustos), dominantes, e os  HANAU MOMOKO( homens magros), mais antigos na ilha e socialmente inferiores. Em certa época, os HANAU EEPE teriam ordenado aos HANAU MOMOKO que recolhessem e amontoassem as pedras que recobririam o solo. Oprimidos por essa tarefa insana, os HANAU MOMOKO teriam se rebelado e, após algumas semanas de batalha, teriam destroçado os seus senhores. A versão é pobre, mas parece mais aceitável quando acoplada à provável escassez de alimentos disponíveis para uma numerosa população, pois no auge da explosão demográfica, a ilha teria 20.000 habitantes. Em apoio a esta ideia lembra-se o progressivo desbastamento da vegetação nativa, além do terrível costume antropofágico que vigorou entre os ilhéus, especialmente na época das convulsões internas. De qualquer modo, a fúria guerreira entre os dois clãs, foi responsável pela destruição dos ahu e das grandes estátuas e pelo abandono do culto por elas representado.



O trabalho de pesquisas dos estudiosos poderia ser bem mais fácil não fosse o comportamento com que vários ocidentais brindaram os pascoanos no século passado. Expedições peruanas à cata de escravos acabaram por levar da ilha toda sua elite governamental e cultural; os poucos que retornaram não possuíam os conhecimentos ancestrais. Conta-se que os escoceses que arrendaram terras para criar ovelhas preferiram cercar a vila de Hanga Roa, dificultando o livre trânsito dos nativos.
Problema similar ocorreu com as tábuas Rongo-rongo, que continham a misteriosa escrita desenvolvida na ilha. Os primeiros missionários católicos em Páscoa consideraram-na obras do demônio e as destruíram. Foram salvas apenas 26 delas, número insuficiente para a decodificação dos ideogramas.

Mas as pesquisas ainda tem muito a evoluir. Enquanto os cientistas buscam soluções para estes problemas, Páscoa permanece aberta e hospitaleira, mas aparentemente ciosa de seus complexos segredos. Talvez não seja à toa, que muitos visitantes costumam identificar nas estátuas uma expressão ligeiramente sardônica _ um desafiador convite à sua decifração.





O que nos diz   Claudia de Castro Lima?

Ao descobrir uma pequena ilha no meio do Pacífico Sul, no domingo de Páscoa de 1722, o navegador holandês Jacob Roggeveen ficou impressionado. Não pela beleza, pois já havia visto ilhas bem mais paradisíacas. O que causou espanto foram gigantescas estátuas de pedra, espalhadas pela ilha. Nos 150 anos que se seguiram, pelo menos mais 53 expedições européias alcançaram o pedaço de terra. Os diários de bordo dos exploradores relatam que, a cada nova visita, menos daquelas figuras enormes eram avistadas ao longe: elas estavam todas sendo derrubadas. Até que, em 1825, os tripulantes de um navio inglês não encontraram mais nenhuma em pé. Segundo os exploradores europeus, as estátuas, chamadas de moais, pareciam testemunhas de uma sociedade em colapso. O próprio Roggeveen escrevera em seu diário: "A aparência destruída não poderia dar outra impressão além de pobreza e improdutividade singulares". Em meados do século 18, o povo rapanui, que habitava a Ilha de Páscoa, já estava em decadência. Bem antes da chegada dos europeus, a ilha experimentara séculos de progresso, com plantações em franca expansão e comida abundante. Em algum momento, entretanto, algo deu muito errado. A população cresceu demais, as florestas sumiram, o solo sofreu erosão, a agricultura não vingou mais e as aldeias rapanuis se consumiram em guerras.

Para um grande número de pesquisadores, o colapso foi causado pela ação descuidada do homem sobre a natureza. Não é à toa que a Ilha de Páscoa é atualmente apontada como uma espécie de metáfora do futuro da Terra: o que houve com os rapanuis é mais ou menos o que pode acontecer com a gente.



Distante 3600 quilômetros do continente mais próximo, a América do Sul, e 2 mil quilômetros da ilha mais próxima, Pitcairn, a Ilha de Páscoa é um dos pontos mais isolados do planeta. Tem 163 quilômetros quadrados - metade da área de Belo Horizonte, a capital mineira. O nome dado pelos rapanuis a seu território fazia jus à situação geográfica: Te Pito Henua (algo como "o umbigo do mundo"). A ilha também era chamada de Rapa Nui, ou "Rapa Grande", por sua semelhança com uma ilha menor chamada Rapa. A história da ilha é controversa. Não existe nenhum registro escrito anterior à chegada dos europeus. A data da colonização do local também não é certa. Estudos recentes apontam que, por volta do ano 1000, ela foi alcançada por povos polinésios. Pouco mais de 100 deles teriam encontrado uma ilha rica em fauna e flora, com solo fértil, coberta por um tipo grande de palmeira, que costumava alcançar 25 metros. A tradição rapanui conta que o primeiro colonizador, Hotu Matu'a, chegou à ilha com sua família. A lenda é que ele teria se transformado no primeiro rei de Rapa Nui - e seus descendentes, assumido o posto nos séculos seguintes. Os rapanuis eram comandados por um único líder, mas a sociedade se dividia em vários clãs familiares. Eles viviam em casas feitas de madeira, palha e folhas secas. Os vilarejos mais ricos eram os que tinham mais galinheiros - enormes e feitos de pedra -, pois as galinhas eram uma importante moeda de troca. O ponto mais importante de cada vila era o centro cerimonial. Esses centros eram compostos de um altar, o ahu, sobre o qual os gigantescos moais ficavam. As estátuas de pedra eram construídas em homenagem a alguém importante do clã que havia morrido. Sua posição estratégica - de costas para o mar, olhando para o vilarejo - servia para que, direto da outra vida, o morto continuasse a olhar por seu povo.


Entre os séculos 11 e 14, a sociedade rapanui viveu seus dias de glória. O solo vulcânico favorecia o cultivo de diversos alimentos, especialmente a batata-doce. A agricultura eficiente resultou em um baita crescimento populacional - estima-se que a ilha chegou a ter 15 mil pessoas.



Aí começaram os problemas. Um número maior de habitantes exigia que mais áreas fossem devastadas. "O plantio em grande escala necessita de um campo aberto", afirma o arqueólogo Christopher Stevenson, autor de Easter Island Archaeology ("Arqueo logia da Ilha de Páscoa", inédito em português). "Outras demandas pela madeira foram para usá-la como combustível e nas estruturas de casas e barcos." As palmeiras serviam para construir as canoas que os habitantes da ilha usavam em alto-mar para pescar um importante item de sua dieta: golfinhos. Como a vida marinha ao redor da ilha não era tão abundante, só os pescadores mais experientes, com suas canoas duplas (semelhantes a catamarãs), conseguiam trazer golfinhos para a mesa. A carne do bicho era muito apreciada, assim como a de foca e de 25 tipos de pássaros selvagens. Adivinhe como isso tudo era preparado? Com a queima da lenha retirada nas florestas. Mas não era só a alimentação que provocava desmatamento. Ele foi intensificado por uma disputa que tomou conta da ilha: a obsessão por construir moais. Os diferentes vilarejos criavam estátuas cada vez maiores. Os primeiros moais, que teriam sido feitos por volta de 1100, tinham entre 2 e 3 metros de altura. Já o maior que chegou a ser posto sobre um altar, esculpido cerca de 300 anos depois, tem 10 metros e pesa 82 toneladas. Aos pés do vulcão Rano Raraku, onde todos os moais eram construídos, há uma estátua com mais de 15 metros e cerca de 270 toneladas, que não chegou a ser terminada. Mas o que fazer moais tem a ver com derrubar árvores? Segundo os pesquisadores, levar um moai do vulcão até um vilarejo e deixá-lo em pé era um trabalho que exigia muita madeira.




Além disso, de acordo com a arqueóloga americana Jo Anne van Tilburg, da Universidade da Califórnia, um quarto dos alimentos de Rapa Nui era consumido no processo de produção e transporte dos moais - atividades que envolviam entre 50 e 500 pessoas de cada vez. Conforme as palmeiras eram arrancadas, uma série de problemas no solo começou a aparecer. "A terra de cultivo ficou exposta ao sol, ao vento e à chuva", afirma o arqueólogo Claudio Cristino, da Universidade do Chile, um dos maiores estudiosos de Ilha de Páscoa. O solo sofreu erosão e muitos vilarejos ficaram inabitáveis, pois nada brotava ao seu redor. "Com a destruição dos solos férteis, não é difícil imaginar drásticos períodos de fome em Rapa Nui. Tensões sociais extremas causaram conflitos e a população da ilha, que teria chegado a 15 mil pessoas, começou a diminuir", diz Cristino, autor de 1000 Años en Rapa Nui ("1000 anos em Rapa Nui", sem tradução para o português). Esse processo de decadência, de acordo com a maior parte dos estudiosos, ocorreu entre os séculos 16 e 17 - antes da chegada dos europeus. Segundo Cristino, a tradição oral rapanui menciona um período de guerras entre aldeias. Quando derrotavam os membros de determinado clã, os vencedores derrubavam os moais do vilarejo de cara para o chão - a maior humilhação que podia ser feita. As expedições européias que visitaram a Ilha de Páscoa ajudaram a piorar a crise, espalhando epidemias e levando pascoenses como escravos. No fim do século 19, havia pouco mais de 100 pessoas na ilha. Basicamente o mesmo número que teria aportado por lá 1000 anos antes e fundado a sociedade rapanui. 




Estudiosos divergem quanto aos motivos do desastre da ilha. O geógrafo Jared Diamond, autor de matérias e livros sobre o assunto, batizou a tragédia de "ecocídio". Ao devastar os recursos naturais da ilha, os rapanuis teriam provocado um desequilíbrio que resultou no fim de um ecossistema e causou seu próprio extermínio. "A história da Ilha de Páscoa é o exemplo extremo de destruição florestal no Pacífico e está entre os mais extremos do mundo: a floresta desapareceu e todas suas espécies de árvores se extinguiram", escreveu.
Já para o antropólogo americano Terry Hunt, da Universidade do Havaí, não há evidência de que o colapso da população tenha ocorrido antes do contato com os europeus. Hunt sustenta que Rapa Nui foi colonizada bem depois do que se acredita - por volta de 1200. Assim, não haveria tempo para que, em pouco mais de três séculos, a população saltasse para 15 mil habitantes.



Sem superpopulação, a teoria do ecocídio não faria muito sentido. Para Hunt, a queda das árvores foi causada por uma mudança climática que ocorreu ao longo dos séculos. E foi intensificada por uma espécie trazida pelos europeus: os ratos. Alimentando-se de frutos e sementes da palmeira, os roedores dificultavam o nascimento de novas árvores. Discordando da maioria dos especialistas, Hunt afirma que a ação dos colonizadores foi decisiva para acabar com o povo rapanui - assim como ocorreu com muitas outras sociedades pré-colombianas da América, dos astecas aos tupinambás. As expedições européias que freqüentaram a Ilha de Páscoa entre 1722 e 1877 tinham como principal atrativo a população local. Os homens serviam de mão-de-obra escrava em países colonizados pela Espanha e pela Inglaterra. As mulheres viravam escravas sexuais. O missionário alemão Sebastian Englert escreveu sobre dois navios que chegaram lá à procura de escravos. Segundo o padre, a tripulação capturou 150 nativos e os levou ao Peru, onde todos foram vendidos. Diversas outras expedições fizeram o mesmo. Na opinião do britânico John Flenley, professor de Geografia na Universidade Massey, na Nova Zelândia, e co-autor de The Enigmas of Easter Island ("Os enigmas da Ilha de Páscoa", também inédito em português), o que ocorreu foi uma combinação de fatores. "A superpopulação, o declínio dos recursos naturais, a exaustão do solo, as guerras e possivelmente uma mudança climática levaram a sociedade à extinção", diz. "Há a possibilidade de um contato prévio com os espanhóis ter auxiliado, mas não há evidência real para isso." Flenley não acredita na teoria do "ecocídio". "Isso soa rude para o povo rapanui. 



Eu acredito que eles fizeram exatamente o mesmo que outras sociedades fariam. É da natureza humana explorar o meio ambiente. Apenas o controle de população os teria salvado, mas os métodos disponíveis eram absurdos, como o infanticídio. Eles então entraram em guerra. Nós faríamos o mesmo." Hoje a Ilha de Páscoa pertence oficialmente ao Chile, país ao qual foi anexada em 1888. Seus habitantes vivem no vilarejo de Hanga Roa, onde funciona o centro comercial da ilha. Há poucas árvores replantadas na ilha, que vive principalmente do turismo. A história dos antigos rapanuis é contada pelos atuais moradores como exemplo a não ser seguido hoje, mas o paralelo com o mundo atual é inevitável. "Há algumas lições a serem aprendidas com a história da Ilha de Páscoa", afirma John Flenley. "As principais são claras: para não se extinguir, uma sociedade tem de ter controle de natalidade, conservação ecológica e sustentabilidade."


VISTA DA CRATERA ALAGADA DO VULCÃO RANO KAO, NO VÉRTICE SUL DA ILHA. NAS ENCOSTAS DO VULCÃO LOCALIZA-SE O CENTRO CERIMONIAL DE ORONGO.


CONCENTRAÇÕES DE ÁGUA EM CRATERAS DE ALGUNS VULCÕES.



CAPITAL DA ILHA DE PÁSCOA, A CIDADE DE HANGA ROA


CRATERA DO VULCÃO PUI



FONTES:
A ENIGMÁTICA ILHA DE PÁSCOA
REVISTA PLANETA-  REPORTAGEM DE  EDUARDO ARAIA...P.27/35

CLÁUDIA DE CASTRO LIMA
REVISTA AVENTURAS NA HISTÓRIA...10/2007
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255142.shtml?func=1&pag=0&fnt=14px

terça-feira, 1 de abril de 2014

ANTES QUE ELAS CRESÇAM

                  ELAS CRESCEM DE REPENTE

Há um período em que os pais ficam órfãos dos  próprios filhos. É que as crianças crescem com pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença, com estridência super alegre,às vezes com estrondosa e maravilhosa arrogância.
Mas não crescem todos os dias de maneira igual. Crescem, de repente. Um dia sentam-se perto de você e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar a fraldas daquela criaturinha.
Onde é que andaram  crescendo aquelas danadinhas, que você não percebia?Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? E a pá de brincar na areia, as festinhas de aniversário com  personagens lindos, amiguinhos e o primeiro uniforme da escola?
Elas estão crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você não  está ali, na porta do clube, esperando que elas não apenas cresçam, mas apareçam. Ali não estão mais muitos pais com seu carros, esperando que seus filhos saiam  esfuziantes em meio a risos e amigos.
Entre mil hamburgueres e refrigerante nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas nos ombros, casaco amarrado na cintura. Está quente, dizemos que vão estragar os casacos, porém não tem jeito: é o simbolo da geração.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos!
Não mais iremos esperar as crianças nas portas das boates e festas.
 Saíram do banco de trás e passaram para o volante das próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir suas almas respirando conversas e confidências. Não, não as levamos suficientes vezes ao cinema, não lhes demos hamburgueres e refrigerantes o bastante, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas. Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio,  viviam entre embrulhos, passeios, comidas, Natais e Páscoas, piscinas e outras crianças. Havia brigas, discussões, lágrimas e revolta, disputas infantis e de adolescentes. Depois chegou a idade em que sair com os pais começou a ser "um esforço", um sofrimento, pois era impossível largar os colegas, a turma e os ´primeiros namorados.
O jeito é esperar.
A qualquer hora podem nos dar netos.  O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por essa razão, avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

                  MINHAS FILHAS

PORQUE "QUARTA FEIRA DE CINZAS"?

      MUITOS DESCONHECEM O SIGNIFICADO


A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da  Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os  CRISTÃOS CATÓLICOS recebem neste dia são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa (sem contar os  domingos) ou quarenta e seis dias (contando os domingos). Seu posicionamento no calendário  varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de  Fevereiro  até à segunda semana de  Março.

Alguns cristãos  tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar a mortalidade.  Missas são realizadas tradicionalmente nesse dia nas quais os participantes são abençoados com  cinzas pelo padre que preside à cerimonia. O padre marca a testa de cada celebrante com cinzas, deixando uma marca que o cristão normalmente deixa em sua testa até ao pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante  Deus (como relatado diversas vezes na Biblia). No Catolicismo Romano é um dia de jejum  e  abstinência.

Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após o  Carnaval.
 A  Igreja Ortodoxa não observa a quarta-feira de cinzas, começando a quaresma já na segunda-feira anterior a ela.

A quarta-feira de cinzas cai nas seguintes datas nos próximos anos:


DIA DA MENTIRA

PRIMEIRO DE ABRIL- COMO TUDO COMEÇOU

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia da mentira, também conhecido como dia das mentiras,  dia dos tolos (de abril) ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França.
Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.1
Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fools' Day, "Dia dos Tolos (de abril)"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile epoisson d'avril, literalmente "peixe de abril".


No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.
O Dia da Mentira é comemorado por crianças e adultos, e existem brincadeiras que persistem por vários anos, alguns chegam a ser de humor negro, que são aquelas que ridicularizam e humilham as pessoas, mas em geral, são brincadeiras saudáveis.

Walt Disney criou uma versão para o clássico infantil Pinóquio, dando ênfase à brincadeira, mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. Ziraldo, um escritor brasileiro da literatura infanto-juvenil, também conta histórias sobre as mentiras, através do tão famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em "O Ilusionista", Maluquinho descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.